Entrar nesta casa é sentir a espessura do tempo. Há uma presença silenciosa na forma como as divisões se impõem, sem excesso; na austeridade das superfícies; na luz que entra pelas aberturas e se demora sobre as paredes, revelando a medida dos espaços.
Nas Antas, numa zona habitacional tranquila, a casa permanece resguardada, próxima da cidade mas afastada do seu ruído. Projetada em meados do século XX por Januário Godinho, a moradia conserva uma certa gravidade serena, uma arquitetura feita de proporção, sombra e permanência. Ao longo dos três pisos, o interior desenha-se por momentos: zonas de recolhimento, planos amplos, passagens onde a luz muda lentamente ao longo do dia.
A casa pede uma renovação que saiba escutar. Que reconheça a matéria existente, a contenção das linhas, a memória inscrita nos vazios. O projeto de ampliação aprovado abre a possibilidade de prolongar este gesto, sem quebrar o silêncio que a estrutura ainda guarda.